"Ela é tão boa em ocultar coisas e esconder, evitar. Tem tanto amor no coração dela, que o pensamento de transparecer, mostrar as cartas… Assusta ela pra caramba."

Agora lembrara que desde pequena, dizia a sua mãe que queria passar sua lua-de-mel em Veneza. Talvez ela nem soubesse onde ficava essa tal de Veneza, mas sentia uma forte simpatia por aquele lugar. Sua mãe sempre lhe dizia: "Deixe de bobeira, menina.", "Pare de sonhar.", "Amor não enche barriga.". E de certa forma aquilo a deixava pra baixo. Ora, afinal, o que é a vida sem sonhos? Sua mãe lhe dizia que quando sonhamos muito, deixamos de viver. Talvez seja verdade, talvez realmente nos prendamos numa realidade paralela. Mas se isto irá fazer-te feliz de alguma forma, não há porque se esquivar disto.
E então assim ela vivia, assistia a todas as reportagens e comprava as revistas que falavam daquele lugar cujo tinha verdadeira adoração e sonhava em poder um dia estar lá, passeando de gôndola por aquele rio que já presenciou a alegria de tantos casais. Ah, ela sonhava demais. Queria demais. Pedia demais.
"Que menina sonhadora eu era" ela pensava alto, agora.
E interrompida por uma grossa e apaixonante voz, voltou a si. Olhava em volta e estava justamente naquele lugar cujo sempre sonhara, estava na foto de seu cartão-postal que há muito tempo guardara. E a seu lado, o homem o qual amava. Em sua mão esquerda, um lindo representante do amor verdadeiro. E fechando os olhos e sorrindo discretamente, viu o quanto sonhar valeu à pena. Bia Tavares {s-a-l-g}